Festival do Crocodilo na Papua Nova Guiné

8 de junho de 2019
Marcelo Orchis

Essa é terceira e última parte da minha viagem até a Papua Nova Guiné. Em textos anteriores eu falei sobre meu encanto ao chegar em PNG e no segundo texto sobre aprendizados em Rabaul e Port Moresby.

Rio Sepik e Festival do Crocodilo  

Apesar de ser um arquipélago, nossa locomoção pelas diferentes províncias da PNG foi feita de avião. De Rabaul fomos a Wewak, localizada na Província de Leste Sepik, na região de Momase, ao norte da Ilha de Guiné. Esse lugar me atraiu quando assisti ao Departures.

Nicholas foi fundamental, pois nos apresentou os seus amigos Moox e Derrick, que nos buscaram no aeroporto. Assim, pudemos participar do fascinante Festival do Crocodilo, na pequena cidade  de Ambunti, sem o intermédio de uma agência turística. Derrick nos levou num carro 4X4 de Wewak a Pagwi, que fica numa das margens do Rio Sepik.

De lá, fomos a Ambunti numa canoa motorizada conduzida por um local que estava com sua família. O trajeto de carro durou cinco horas, e o de canoa, duas. Nessa viagem, destaco o pôr-do-sol fenomenal.

Como não tínhamos reserva para o único (e pequeno) lodge do local, que estava cheio (24 turistas que fecharam a hospedagem com agência), uma família local se ofereceu para nos hospedar no quarto da matriarca, que tinha cerca de 80 anos. Foi uma experiência inesquecível dormir no chão de uma casa sem energia elétrica, televisão, internet e chuveiro. A hospitalidade foi tão maravilhosa, que além de pagar um valor simbólico, presenteamos a família com chocolates suíços e algumas das nossas roupas (desapego!).

Em Ambunti, participamos do Festival do Crocodilo, no Rio Sepik! É um evento de três dias realizado desde 2007 no primeiro fim de semana de agosto. Ele tem um significado cultural para as comunidades que vivem nas margens do rio, que é composto de pântanos, florestas tropicais e montanhas. Para os locais, o Homem e o crocodilo têm uma conexão especial (o animal simboliza força, poder e virilidade). É muito comum ver homens com cicatrizes parecidas com as costas de um crocodilo propositadamente feitas do ombro ao quadril.

Em agosto, os moradores das diferentes comunidades do Rio Sepik partem para o Festival do Crocodilo (alguns levam até dois dias de canoa para chegar a Ambunti), onde se apresentam com trajes coloridos, além de rosto e corpo pintados.  Eles também portam escudos, arcos e lanças e cantam, dançam e tocam kundu, uma espécie de tambor local. O grande objetivo do festival, que é realizado em parceria com a World Wilde Fund (WWF), é realçar a importância da conservação do crocodilo em seu habitat natural.

 

Foi fantástico visitar uma região remota, que parece um mundo “congelado” no passado e onde as tradições e os costumes ainda permanecem intactos, o que eu pude expressar na entrevista que concedi durante o Festival do Crocodilo para a TV local. Fui entrevistado pelo simples fato de ser brasileiro, o que é bastante raro na PNG.


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