A irreverência na mais tradicional avenida de São Paulo

4 de fevereiro de 2019
Irineu Ramos

É o polo financeiro da cidade. Mas, é bom esquecer aquela imagem de engravatados conservadores transitando de um lado para o outro. A mais democrática avenida de São Paulo é um universo de cores, identidades, nacionalidades, prazeres e liberdade distribuída em pouco mais de dois quilômetros.

Como diria o mundo irreverente, é a fauna e a flora humana convivendo harmonicamente no mesmo espaço. Morar perto deste “habitat” e estar livre da rotina, da monotonia e do comportamento blazee a qual somos submetidos. Vejam um pouco das tribos que passam pela Paulista.

SlutWalk (Marcha das Vadias) – Surgiu em 2011 em Toronto (Canadá) e no ano seguinte já ocupou as ruas de São Paulo. A Marcha protesta contra a crença de que as mulheres que são vítimas de estupro teriam provocado a violência por seu comportamento. Por isso, marcham contra o machismo.

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O bom humor domina o protesto das mulheres em busca de respeito e uma sociedade mais igualitária.

Protestos políticos – Protestos de todos os matizes, bandeiras e ideologias. As maiores manifestações na avenida foram contra a corrupção.

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O inconformismo da população extravasa na avenida. A busca por Justiça e respeito ao bem público tem seu espaço.

Parada Gay – O movimento LGBT traz uma das maiores manifestações da cidade, movimentando milhões na economia. Em anos anteriores os objetivos eram em defesa da causa gay, mas, no último ano foi capturada pelos movimentos ideológicos e transformou-se numa luta política partidária. É triste. Mas mesmo assim é um dos grandes acontecimentos da avenida.

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São Paulo é certamente a cidade com mais opções de lazer para o público gay. Bairros da região central são conhecidos por abrigar esta população e um fervilhante número de bares, boates, saunas e muitas outras opções LGBT. A parada é o coroamento e a visibilidade do universo gay na cidade.

Marcha da Maconha – Em geral acontece em maio e os participantes lutam por mudanças na legislação da cannabis, regulamentação de comércio e uso (tanto recreativo quanto medicinal e industrial). No mundo, paralelo à marcha acontecem congressos com estudos científicos que revelam os diversos usos. Mas por aqui é a oportunidade de fumar um ‘baseado’ sem ser incomodado pela polícia.

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Cartazes que unem o nexo e o sem nexo dominam a manifestação dos que defendem a legalização da maconha. A manifestação é sempre acompanhada de perto pela polícia militar.

Palhaceata – Grupo de artistas amadores ou não comemoram o Dia do Palhaço na Avenida Paulista. A ideia é levar alegria às pessoas. Os organizadores sempre deixam claro que ideologias políticas não fazem parte daquela festa. Muito divertido, vale a pena acompanhar.

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Rostos que marcam o humor, a inocência e eternidade de personagens que sempre estiveram presentes nas artes.

Against Homophobie – Marcha Contra Homofobia – Por abrigar uma infinidade de bares, boates e points gays, a avenida Paulista é a preferida para as manfestações da comunicadade LGBT.

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A Marcha contra a Homofobia é temperada com bom humor e um colorido especial.

Marcha do Parto em Casa – Manifestação de mulheres em apoio ao parto natural que pode ocorrer no local de escolha da parturiente com auxilio de doulas. O movimento surgiu depois de uma entrevista de um médico carioca no Fantástico da TV Globo em apoio ao parto natural em casa, inclusive, desaconselhado por entidades médicas. A era da humanização do parto chegou na avenida também.

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A avenida tem espaço para todas as vertentes. Os participantes sabem que o que acontece nela vira notícia. É a vitrine das vanguardas… incluindo a luta pelo parto em casa na companhia de doulas.

Corrida Internacional de São Silvestre – A corrida a mais famosa  do Brasil e a da América do Sul, tem um percurso atual de 15 quilômetros e atrai atletas amadores e profissionais de todo o Brasil e Exterior. Por motivos de segurança, atualmente os corredores ficam totalmente isolados da torcida durante a concentração e chegada. Anos atrás a confraternização era geral.

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Participar da corrida deve ser uma experiência única. Mas, estar na plateia, torcendo e revendo amigos é muito mais confortável. As imagens são de um tempo em que não havia tantas barreiras que hoje impedem o encontro de corredores e torcida.



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