Jóya de Cerén, resquícios da civilização Maia escondidos por quase 1400 anos

7 de março de 2024
Melissa Machado

Em 1976, nos arredores de capital de El Salvador um terreno estava sendo preparado para receber uma construção de silos, entretanto, ao escavar a região, descobre-se que ali estava uma vila da civilização Maia nunca antes descoberta.

Jóya de Cerén - Ruínas - Crédito: Roberto Gallardo
Jóya de Cerén- foto: Roberto Gallardo

Conhecida como Pompeia da América, Jóya de Cerén foi um território agrícola maia atingido por uma erupção do vulcão Loma Caldeira no século VII. A erupção, que soterrou a cidade até sua descoberta, também foi o motivo da preservação de sua estrutura. Diferentemente de Pompeia, os habitantes provavelmente conseguiram escapar da região, já que não encontraram até hoje nenhum resquício humano, mas a presença de civilização ali é indubitável. Além das construções e artefatos, foram encontrados em alto nível de preservação jardins, alimentos, animais e itens religiosos, resquícios que em condições tropicais são normalmente deteriorados.

Jóya de Cerén - Ruínas - Crédito: Wikimedia Commons
Utensílios de Cerâmica de Joya de Cerén – foto: Wikimedia Commons

No sítio arqueológico, são conhecidas até o momento 18 construções, feitas de taipa e madeira maciça que incluem uma praça e prédio público, duas casas com depósitos de alimentos, sauna e um templo religioso. Além das construções, foram encontradas também plantações e cultivos, com frutas como goiaba e cacau. O território ainda não foi completamente explorado, e provavelmente abrange ainda mais estruturas e resquícios da civilização.

A vila, diferentemente das suntuosas cidades e edifícios maias muito conhecidos, era um território agrícola e revela diversos aspectos da vida cotidiana e rural que constituía a maior parte da civilização pré-colombiana. Utensílios de cozinha, móveis e artigos de uso pessoal são alguns dos artefatos extremamente bem preservados pela ação vulcânica no sítio arqueológico.

Jóya de Cerén - Ruínas - Crédito: Roberto Gallardo
Ruínas de Jóya de Cerén – foto: Roberto Gallardo

A principal relevância do sítio arqueológico é justamente a sua “simplicidade”. A Jóya de Céren é uma cápsula do tempo, e é considerada a mais bem preservada vila na América Central do período Pré-Colombiano, segundo a Unesco. As características da vila propiciaram mais conhecimento sobre a vida cotidiana da civilização Maia e aproximam a história aos costumes e tradições da atualidade.

A Jóya de Cerén é, além de um importante registro da história, da arqueologia e da ciência, também um importante símbolo cultural da América pré-colombiana e da civilização Maia, que relembra o passado de El Salvador. Por esses motivos, em 1993, foi eleita pela Unesco Patrimônio da Humanidade.

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