A culinária baiana vai muito além de seus sabores intensos e temperos marcantes. A gastronomia baiana carrega consigo uma herança cultural enorme de diversos povos que foram responsáveis por ela ser o que é hoje. Ela traz a história, a cultura e as tradições de um povo vibrante, que tem orgulho de suas heranças, mas poucas pessoas sabem quais povos contribuíram para o seu surgimento e como ele aconteceu.

Muito influenciada por portugueses, indígenas e africanos, a culinária baiana foi primeiramente moldada pelos povos indígenas que habitavam a região. Diversos ingredientes utilizados até hoje em muitos pratos — mandioca, milho, frutas tropicais, peixes e mariscos — já eram consumidos por eles. Mais tarde, com a chegada dos portugueses ao território baiano, novos temperos foram incorporados, como alho, cebola, salsa e coentro.


É de conhecimento geral que, toda vez que pensamos em culinária baiana, associamos sua grande influência africana, de enorme destaque no estado. Isso se deve à chegada de povos vindos da África Ocidental durante o período colonial. Ingredientes como dendê, pimenta, quiabo, coco e outros são utilizados hoje graças à introdução feita por esses povos.
Cada pedacinho de três diferentes povos e culturas pode ser visto em cada prato típico baiano, e cada um carrega uma história diferente, contada toda vez que é provado.



Pratos como acarajé, bobó de camarão, moqueca, caruru e vatapá, apesar das influências diversas, ainda são únicos e carregam uma enorme bagagem cultural e histórica. A gastronomia baiana prova, com maestria, que a comida pode — e deve — ser resistência e memória de povos diversos.
Esses sabores, essa cultura, a resistência histórica e a grande conexão com os antepassados podem ser vistos e celebrados em diversos festivais gastronômicos, sendo um dos mais conhecidos o Festival Tempero da Bahia, que acontece de 27/08 a 07/09.
Seu lema é homenagear a cultura e a gastronomia baiana por meio da arte e da música, evidenciando para todos a diversidade e a riqueza da herança cultural baiana.
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Texto escrito por: Ana Carolina Lack de Souza.